AutuorPaulo i conseguiu que os jogadores não o chamem de “professor”. Também encurtou a distância com o elenco ao adotar postura simples, discreta e mais de conversas ao pé do ouvido do que de gestos espalhafatosos. Porém, aquela vontade de não ser o protagonista do Vasco, por enquanto, tem sido quase impossível de se realizar. Nos treinos, nas entrevistas e no primeiro jogo, em Moça Bonita, todo olhos estavam - e ainda estão - voltados para o treinador do Vasco.
Tenorio nunca jogou a favor de Autuori, mas é um velho conhecido do treinador. Enfrentaram-se por seleções - o atacante pelo seu país (Equador) e o técnico como comandante Peru - e no campeonato nacional do Catar. Para ele, uma característica do trabalho do treinador é o lado motivacional. Aliás, quando chegou, Autuori disse que não ia admitir abatimento.
- Ele é um cara que dá uma motivação especial para o jogador, coloca a autoestima de todos lá em cima. Quer que a gente pense como pessoa e como jogador. Ele precisa de nós e nós precisamos dele - disse o Demolidor.
Tenorio lembrou que Autuori promoveu algumas mudanças no futebol do Catar no tempo que trabalhou naquele país. Na chegada ao Vacso, o técnico disse que dificilmente mexeria no seu início. Mas não foi bem assim. Ele surpreendeu ao escalar o próprio Tenorio de saída em Moça Bonita, depois de mais de um mês afastado. Fellipe Bastos virou titular, após ser deixado de lado por Gaúcho e passar o início da temporada, envolvido numa negociação frustrada com o Internacional. Agora, Yotún parece que vai assumir a lateral-esquerda.
Nos treinos, Paulo não abre mão de reunir jogadores titulares e reservas do mesmo setor e mostrar o que deseja do posicionamento de cada um. Nas primeiras orientações foi possível perceber o padrão de jogo que ele pretende dar à equipe: pediu que jogadores trocassem passes de primeira, que os cabeças de área avançassem junto aos laterais e pediu ainda muita movimentação da equipe. Outra característica do treinador é que, mesmo quando enfatiza a parte física, ele procura sempre treinar com a bola.
- O Paulo chegou e deixou explícito que vai precisar de todos jogadores. Ele lembrou que muitas vezes quem decide o jogo é quem sai do banco - disse Fellipe Bastos
O volante, por sinal, ganhou uma injeção de ânimo do técnico nas primeiras conversas. Paulo havia pedido compreensão à torcida para usar todos jogadores disponíveis, principalmente aqueles com quem a paciência é menor, como é o caso dele.
- Ele me disse para não abaixar a cabeça. Que eu devia procurar meus objetivos em treinos e jogos, para esquecer um pouco o que acontece fora de campo - completou Bastos.